Quem é você pra falar de miséria? Uma casa confortável, comida na mesa e roupa lavada o esperam todos os dias. Quem é você pra falar de saudade? Quem mais o ama sempre estará do seu lado: os seus pais. Quem é você pra falar de preconceito? O garoto negro e sujo que passa do seu lado recebe o seu pior olhar de desprezo. Você fala de almas floridas como se, por um acaso, tivesse uma. Você grita que o mundo precisa de pessoas melhores, mas não passa de alguém igual a todos os outros. Você critica atitudes que, na verdade, você mesmo coloca em prática. Quem é você pra falar em solidariedade, quando não ajuda um cego a atravessar a avenida sem pedir nada em troca? Ou quando não cede o acento do ônibus pra uma senhora idosa? E, ainda por cima, quando não abre mão de um par de sapatos velhos pra doar à quem mais precisa?